
Voltando da 25 de Março depois de uma tarde de compras
Metrô lotado quase seis da tarde, cansada, sacolas pesadas, lá estava eu espremida entre uma multidão de pessoas, algumas como eu vindo das compras e outras vindo do serviço...
Na esperança que as horas passassem rapidamente e eu pudesse sair dali, liguei o celular e consegui sintonizar em uma musica do grupo (Doce Encontro) perfeita, a musica era uma espécie de rimas que traduzem tudo o que um casal gosta de fazer junto
... E parecendo uma sardinha enlatada, com varias pessoas em pé na minha frente, nem percebi que já era a primeira estação... Para meu alivio algumas pessoas desceram, para minha tristeza outras pessoas entraram e para minha agonia a bateria do meu celular acabava de descarregar
Tive vontade de olhar pela janela, mas tinha que prestar atenção nas sacolas
E... Foi então que olhei ao redor e numa breve analise das pessoas pude ver um casal junto à porta, sentados no chão
Os dois pareciam ter vinte e poucos anos e ouviam por coincidência a mesma música que eu estava ouvindo só que estavam ouvindo juntos, compartilhando os fones de ouvido
Ok
Mesmo que inúmeros otorrinos ao se depararem com tal cena dissessem que não é higiênico... Sei-la, acho que estava diante de um ato romântico...
Mas não era só dividir os fones os dois cantavam trechos da musica um para o outro, intercalando beijinhos e olhares com os versos da música, sempre com um sorriso tão grande que dava à sensação que iam engolir a própria orelha
Admito, fiquei com inveja
Pois não era qualquer sorriso era um sorriso lindo que dizia “Estamos Apaixonados"
E durante as cinco estações seguintes eles ficaram assim, cantando um para o outro, sorrindo e se beijando
Até o momento em que ambos ficaram em pé e se abraçaram bem apertado
Ele lhe deu um selinho demorado na boca dela e um beijo na testa, as portas se abriram e ela desceu
Mas não partiu, caminhou em direção a janela e encostou os lábios no vidro pelo lado de fora, enquanto ele fazia o mesmo pelo lado de dentro (sim, qualquer medico e uma pessoa equilibrada diria que aquilo não era recomendável, ainda mais em tempos de gripe suína e tudo mais)
Mas não durou muito tempo, logo o apito de partida do trem soou...
E mais uma vez o trem deu partida, ela saltitante subiu as escadas correndo, e ele continuou ouvindo música dentro do vagão e sorrindo para o vazio como se tivesse injetado 500g de açúcar refinado na própria veia
Sabe... presenciando tamanha felicidade a primeira coisa que consegui pensar foi em como aquelas duas pessoas conseguiram criar um mundo só deles em meio a tantas pessoas os dois estavam ali, juntos, e simplesmente não notavam o resto do mundo, não se incomodavam com nada
O trem lotado, varias pessoas esquisitas, o ar-condicionado desregulado, o cara ouvindo pagode no celular como se estivesse num churrasco, o murmúrio das conversas, uma senhora de meia idade fumando cigarro, o vendedor gritando olha a batatinha, se não fizer creque de crocante eu devolvo o dinheiro, o outro vendendo refrigerante, a voz metálica e assustadora anunciando as estações por um alto falante, duas crianças chorando pra ver quem olhava pela janela
Enfim cheguei à conclusão que enquanto eles estavam juntos não viam problemas, não sentiam medo, não viam as outras pessoas, não sentiam vergonha de nada que fizeram um para o outro
Sabe...
Eles tinham, não sei como dizer
... Talvez a sua própria bolha pessoal de felicidade
E ali estava eu ainda olhando toda abobada para o rapaz ja quase vendo balões em forma de coraçõezinhos quando me viro para o lado e perto de mim vejo uma garota de óculos, mais ou menos da mesma idade que o rapaz, também reparando nele
E ao notar que estávamos nos duas olhando para o mesmo rapaz ela deu uma ajeitada na franjae olhando pra mim com cara de deboche disse irritada num sotaque carioca bastante puxado: "você ouviu? Cantaram mal pra cacete"
...
Depois dessa eu ri sozinha
E afirmo com todo prazer
A Inveja é uma Merda
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