Coisas da Vida


Eu vi um menino
Cujos olhos já não tinha mais o brilho da juventude
Na pele as rachaduras do tempo
As quais chamamos de rugas
Aquelas que alguns poetas em seus versos mostram se orgulhar
E, no entanto, homens e mulheres tentam a grande custo se livrar


Esse menino que eu morria de Amor
Cresceu e não se deu conta disso
Talvez só agora que tudo perdeu saiba o que realmente é viver
Playboy sobreviveu e amadureceu num mundo de riqueza que nunca reconheceu


Eu revi esse menino...
De cabelos brancos
Sentado em sua cama de jornal usando trajes encardidos
Comendo das migalhas que os outros lhe davam
Descalço pisava no chão em que muitos cuspiam
Com os olhos arregalados olhava como quem me reconhecia 

A sua frente alguém que ele nunca tratou como gente

Hoje, suas historia calejadas por um tempo
Em que pensava apenas zoar e se divertir
Fez dele um verdadeiro equilibrista na corda bamba da vida
Passeia por entre a bala perdida
Caminha anônimo em meio à multidão que por ele passa
Covarde aos olhos dos outros, no entanto quando participava de rachas, não tinha medo de nada


Ele chega de mansinho
Me faz um carinho no rosto e parece olhar dentro de mim
Vem...
A partir de hoje a empregada que você sempre maltratou
Vai cuidar de ti



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